O que podemos aprender com o resgate dos meninos da Tailândia

​Enquanto os olhos do planeta estavam voltados para a Copa do Mundo na Rússia, outro time de futebol entrou no coração de todos. Era a equipe dos Javalis Selvagens, um grupo de adolescentes que, surpreendido pelas águas, ficou preso numa caverna na Tailândia, junto com o jovem técnico-assistente Ekkapol “Ake” Chantawong. Foram duas semanas de tensão até que os 13 fossem liberados com vida. Nesse período, o melhor do ser humano foi visto em inúmeras demonstrações de solidariedade, coragem, resiliência e tantos bons sentimentos que acompanhamos pelas mídias naqueles dias. O que podemos aprender com esse resgate são lições valiosas sobre o que tem valor para as nossas vidas.

TEMVALOR-MAIN_meninos.pngNopparat Kanthawong/Faceboook

​Lição 1: Manter a calma, em qualquer situação

Um passeio conhecido, feito tantas vezes, mudou completamente quando a água começou a subir rapidamente da caverna. Não era possível voltar. A única alternativa era entrar ainda mais na caverna para procurar abrigo. Foi assim que os Javalis Selvagens ficaram presos numa elevação, a 4km da entrada da rocha. A calma foi mantida pelo treinador que orientou a meditar e a economizar energia e oxigênio e enquanto esperavam um resgate (ainda hipotético). Foram nove dias até que os primeiros mergulhadores chegassem até eles. E ainda foi preciso esperar mais cinco dias para que todos pudessem sair. Ter mantido a calma durante tanta tensão e expectativa foi crucial para o desfecho feliz desta impressionante história.

Lição 2: Cada pequena ajuda faz a diferença

Quando a notícia da equipe presa na caverna se espalhou, voluntários do mundo inteiro foram ao local para ajudar. Especialistas em mergulho se dispuseram a planejar e arriscar vida no resgate. Os moradores da cidade começaram a cozinhar e a distribuir comida gratuitamente para os voluntários. Uma lavanderia se encarregou de lavar gratuitamente, todas as noites, as roupas das equipes de resgate. Outras pessoas se encarregaram de manter os banheiros dos estacionamentos limpos. Nenhum trabalho era considerado menor. Todos, dentro das próprias possibilidades, estavam ali para ajudar.

Lição 3: Trabalhar com um propósito

Os mergulhadores e militares que participaram relatam o alto nível de estresse da missão. Eles precisavam trabalhar contra o tempo para conseguir retirar os meninos antes da data em que a caverna estaria completamente inundada. Apesar disso, o propósito mantinha todos focados e motivados. O mergulhador Ivan Karadzic se lembra da tensão quando viu o primeiro menino surgir na escuridão. “Não sabia se era um morto ou ferido ou uma criança”, disse à BBC. “Mas quando vi que ele estava vivo e respirando... A sensação foi muito boa”.

Lição 4: Manter a esperança viva

Além da ajuda concreta, com dinheiro e ações práticas, um grupo numeroso se manteve em frente à caverna, cantando, acendendo velas e fazendo orações pedindo a proteção dos Javalis e de todos os voluntários. A alegria e a boa energia dessas pessoas manteve a esperança viva e os grupos de resgate e apoio motivados durante todo o tempo.

Lição 5: Colocar-se no lugar do outro

O médico e mergulhador Richard Harris interrompeu suas férias para se dedicar ao resgate dos Javalis Selvagens. Foi dos últimos a sair da caverna, quando foi informado que seu pai tinha falecido, mas ele sabia que seu lugar, naquele momento, era garantindo a segurança das crianças. Entre os resgatados, o treinador foi o que estava em piores condições de saúde porque racionou as próprias provisões de comida para alimentar o time. O mergulhador John Volanthen, que foi o primeiro a encontrar os desaparecidos, num trecho onde o colega Saman Gunan já tinha perdido a vida anteriormente declarou: “se você pudesse fazer o mesmo pelo filho de outra pessoa, você faria”.

Quando uma tragédia assim toca as pessoas, o mundo que, que é tão grande, deixa as diferenças de lado, encurta distâncias, e se torna mais vizinhança. A principal lição que levamos dessa história e precisamos lembrar sempre é que não estamos sozinhos nesse planeta, e, cada gesto pequeno, como oferecer um sorriso ou abrir a porta para alguém, melhora a vida de outras pessoas. Que tal aplicar um pouquinho desse espírito de solidariedade todos os dias na sua vida?