Pedalando 90 km todos os dias: a força do pequeno empreendedor

​A jornada do ambulante Elias Francisco do Nascimento Junior começa ao meio-dia. É quando ele sai de Duque de Caxias, onde mora, para ir trabalhar na Zona Sul do Rio. Em vez de pegar ônibus ou trem, Elias vai de bicicleta. São seis horas pedalando para vender doces, recarga de celular e chinelos personalizados do outro lado da cidade. Às 22h, ele faz o caminho de volta, percorrendo mais seis horas de viagem para enfim chegar em casa, às 4h da manhã, completando um total de 90 km pedalados por dia.

​Batalhando por um lugar ao sol

Elias é um exemplo do pequeno empreendedor brasileiro que batalha com disposição, contra todo tipo de dificuldade. O horário, o local de vendas e a opção pela bicicleta não são por acaso. “No trem tem muita concorrência, muita gente disputando venda e dá muita briga. Eu não me arrisco nesse meio. Prefiro trabalhar na rua, no ônibus”, conta Elias, em entrevista para o G1. Ele prefere colocar toda a mercadoria na bicicleta e pedalar até a zona sul onde o Magazine Junior – nome que deu à bicicleta – vende mais.

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Foto: Marcos Serra Lima (@G1)

Vendas de até R$0,10 na maquininha

O bom humor é um dos segredos para manter as vendas e a disposição em continuar empreendendo. “A gente tem que ser brincalhão também, por mais que não esteja nada de bom na nossa vida”. O outro segredo é a maquininha que faz qualquer negócio. “enquanto nas lojas o vendedor só passa acima de R$10, eu passo até uma bala de R$0,10” conta. “Tem que pensar também no lado do cliente que às vezes quer comer um doce mas está sem dinheiro. Vendo mais com a maquininha, tenho notinha de tudo R0,10, R$0,50, R$1,50, nunca perdi venda por isso”. Elias anda também com uma pasta onde estão notas fiscais da bicicleta, da maquininha e de toda a mercadoria à venda, para provar que é dono da mercadoria e tudo o que usa para trabalhar.

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Foto: Marcos Serra Lima (@G1)

Planos para o futuro

Com todo esse esforço, Elias vende até R$120 por dia. "Mas tem vezes que a gente passa nas ruas, não vê a venda sair, dá até um desânimo, vontade de desistir, já senti isso várias vezes. Mas aí coloquei na cabeça que tenho que continuar", conta. O sonho para o futuro é equipar a bike com mais quatro caixotes e fazer uma minimercearia. "Quero vender de tudo ali, de sabão em pó a coco ralado", se diverte.

 Saiba mais sobre a história de Elias no vídeo do G1.